A formação do Pânico

Veja como e porque a doença pode ser desencadeada a partir do nascimento e o que fazer caso as crises sejam inevitáveis.

Por Ana Paula Santos

Embora não seja um consenso, existe um grupo de psiquiatras estudiosos da Síndrome do Pânico, que acredita que a doença não é gerada por fatores genéticos, nem ambientais. Para este grupo, o fato do portador morar numa grande metrópole ou ter históricos na família de pessoas que tiveram a doença, não significa que tais fatores que desencadearão o transtorno.

Tais especialistas defendem a tese de que a Síndrome do Pânico pode ser classificada como um problema emocional e cujo desencadeamento depende das circunstâncias vivenciadas pelo portador desde a sua infância. “Duas pessoas geneticamente parecidas reagem de diferentes maneiras as mesmas situações, por isso a idéia de origem genética é muito delicada”, diz o Dr. Artur Scarpatto, psicólogo especializado em Síndrome do Pânico há 20 anos.

A relação entre o cérebro e a síndrome

O cérebro humano se desenvolve por experiência, assim como a personalidade, sendo que esta última funciona como um espelho da primeira. O cérebro de um recém-nascido tem uma pequena capacidade de auto-regulação, por isso ele não consegue identificar a fome de outras necessidades e precisa da mãe para tudo, inclusive para regular o seu ritmo de vida. Quando está última não esta disponível para a criança, ela não desenvolve muito bem esta função de regularização; já quando a mãe atende bem a criança, ela fica mais independente, dorme mais calma e sua capacidade de regularização aumenta.

Este processo nos acompanha durante a vida inteira, afinal, todos dependem de outras pessoas para sobreviver. Pessoas que não tiveram um processo satisfatório do gênero quando bebês, ao se tornarem adultas, normalmente se tornam centralizadoras, ansiosas e de difícil socialização, justamente alguns dos principais sintomas que acompanham o portador da Síndrome do Pânico: “Os portadores do Transtorno do Pânico são pessoas que se sentem desamparadas, nãotem uma figura de proteção, alguém que admire ou confie”, explica a psicóloga Vera Assumpção, coordenadora do grupo de auto-ajuda ARCO ÍRIS. “Ao perceberem que não conseguem controlar tudo, tais pessoas acabam entrando num nível de ansiedade tão alto que acaba por desencadear uma crise de Síndrome do Pânico”.

Para Assumpção, todos são passíveis de sofrer uma crise de Pânico pelo menos uma vez na vida. “No entanto, só podemos diagnosticar que a pessoa sofre do transtorno quando as crises se tornam repetitivas e num ritmo cada vez mais intenso”.

Especialistas que defendem a tese de que a Síndrome do Pânico é caracterizada pela relação que o portador tem com o corpo dizem que, quando há falhas no processo de auto-regularização no processo mãe-bebê, a pessoa tende a crescer com um alto índice de sensibilidade e carência com suas sensações do corpo. Logo, portadores do transtorno apresentam reações fisiológicas que diferem das demais. A crise inicia-se no aumento da ansiedade, com o indivíduo não conseguindo controlar sua respiração, realizando tal processo cada vez mais rápido. A partir daí, sua tensão aumenta, assim como o nível de adrenalina, o que faz com que ela passe a ter tonturas, formigamento e dores por todo o corpo, como se tivesse saído de uma luta. Tais sensações crescem de tal forma que a impressão é de uma iminente parada cardíaca. Daí, o início da crise, que pode acometer uma pessoa com diferentes graus de intensidade, de modo a privá-la do convívio social, desencadeando freqüentemente crises de depressão.

 A busca pela ajuda

Com a aparição cada vez mais assídua das crises, o portador do transtorno passa a não confiar em ninguém. Como conseqüência, além da depressão, há o risco da dependência em remédios antidepressivos, tomados para amortizar as sensações do corpo. O uso de drogas entorpecentes, como alucinógenos ou até mesmo o álcool, também é comum. “É normal ver os portadores do Pânico em processos de automedicação ou ingerindo bebidas alcoólicas para espantar os sintomas”, diz o Dr. Scarpatto. “È o modo precário que eles encontram para fugir do problema. No entanto, o mais importante é encará-lo de frente, procurando um especialista”, sugere.

 Fonte: www.vencaopanico.com

Anúncios